Braid

02/07/2012

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I try to braid you in my hair
And I seek your taste in the cigarette smoke
My warm drink does not make me crazy anymore
My nails are hollow without your flesh
Oh, God, your flesh…

It’s all so pointless
All the poetry reminds me of you
My only man
That never loved me.

The past is now my torment
It is transient, I know
As I was to you
But I’d open all my scars
To another – but the last one, I just can’t stand any more goodbyes – hug.

Nenúfar

20/06/2012

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Busco alguém pra me entender
Alguém que possa me conter
Minha cabeça e coração
E que meu espírito entenda sua prisão
Nada sendo castigo
Só rito de evolução

Alguém que me tire as pedras dos bolsos
E os vestidos pesados à beira do rio
Alguém que impeça que me atire ao mar
Alguém que esconda o arsênico.

Nem entregues Teresas, cheias de doçura
Nem ardentes Sabinas, propondo-me aventuras.
Eu só precisaria de outra de mim
(Ou um de você… deve haver)

Museu

24/04/2012

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E se agora eu estivesse no mar?
Flutuando entre ondas leves
– Iemanjá me recebe bem –
Sentindo o sol queimar de leve minha pele clara e manchada de sardas.

E se agora eu estivesse no mar?
Cortando ondas espumadas feito sereia.
Ondas que desmancham em volta de mim
Como portas que me convidam para dentro de si.
Voando por dentro delas até o cume da montanha de água
Transparente, tão perfeita, iluminada pelo sol
Viro pintura dentro da onda.

Ninguém vê, ninguém liga…
Se agora eu estivesse no mar
Com os lábios rasgados de sol e de sal
A pele temperada, no cabelo centenas de pedras desunidas.
No meu cabelo abrigo montanhas milenares
Tudo pro meu museu, tudo pra mim.

Navegante

28/03/2012

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Navega alma
Serpenteia pelo mar
Busca teu porto
Busca teu lugar

Caminho tortuoso
Descanso não há
Portos encontrou
Não eram seu lar

Morre alma
Morre a navegar
Afoga almazinha
De cansaço e sem lugar.

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Era tímido, sonhador.
Oprimido por uma vida de decisões não tomadas
Foi sendo levado por uma maré invisível, porém poderosa.
Punha suas poesias por entre as noticias
Saía à rua como respeitado conhecedor do mundo real.
O sonhador achava-se perdido no turbilhão de realidade que era obrigado a viver
O mundo real o deprimia e entediava.
Preferia Quixote a generais, Alice a qualquer rainha – a de Copas passava.
Mas foi ensinado no mundo real e por medo de se perder guardava sua paixão em segrego
Que ninguém soubesse de suas viagens de papel.
Jamais assumiria seu amor pelo não real.

Sonha amarrando-se ao chão tal era seu medo de voar.

Medo do Escuro

28/01/2012

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Sozinha lá fora, a luz ameaçou apagar
O escuro é imensidão
Apavorada quis entrar
Mas dessa vez não
Fechei os olhos pra ele dominar
A chuva apertou
O universo sempre quer me desafiar

Os abri imediatamente
Sou covarde, não entro em brigas com deus
-Finjo que não existe exatamente pra não enfrentar-
Mas dessa vez não
Fechei os olhos de novo
E fumei meu cigarro no escuro da pálpebra
Até meu lábio queimar

A chuva apertou, gritou alto na telha
– TA PERIGOSO, VOU TE PEGAR!
Mas o meu escuro eu dominei
E de olhos fechados fumei
Até meu lábio queimar

O cigarro acabou
A pálpebra da minha luz acendi
Nada havia mudado
A chuva era a mesma
Forte, poderosa, ameaçadora
Não pegou ninguém
Muito menos a mim
Dessa vez, eu venci.

Constelações

23/01/2012

Daqui de onde eu fico pra fumar
da pra ver uma estrela
Uma só
Só uma estrela eu posso olhar

A cicatriz inchada no meu braço
não me deixa nem rimar
E mesmo assim Deus me deu essa estrala preu olhar.

Daí eu fico a me perguntar:
Será um sinal de que Ele quer me perdoar?
Ou foi só mais uma que esqueceu de apagar?

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Enquanto escrevia esse poema a estrela se pôs ainda mais alto… Não sei se por deboche ou por carinho, de qualquer forma, a estrela era pra mim.
Curiosamente apareceram outras, tímidas, distantes, mas definitivamente estrelas. Ganhei uma constelação no dia que escrevi esse poema.