Ex Amor

17/07/2014

cellophane

Você questiona meu (ex) amor
Mas é tão injusto, não vê?
Eu te amei como nunca amei ninguém.
Meu coração, que era vazio, se encheu de você
Mas agora esvaziou.

E por isso você questiona meu ex amor?

É verdadeiro, não vê?
Ainda vou ex amar você
E pra sempre vou te desamar.
Me dói o espirito que você não veja.
How can’t you see if i’m wrapped in cellophane?

O coração exposto à luz e visão
Esvaziou por vontade própria.
Continuo translúcida à investigações
Eles examinam e veem.
Todos eles conseguem ver

Menos você.

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Na aula de literatura africana li um conto que tinha esse título, e falava, é claro, sobre esse sujeito que nunca havia sido retratado na história da literatura, ninguém nunca se importou em contar a historia do homem que não tira o palito da boca. Pois então, que obrigada pelo Universo, incluo hoje, na literatura da minha vida esse personagem… Muito mais que um personagem, Seu Gilson (motorista da B44, como o próprio se intitula) apareceu no meu dia pra se provar real. Com mais simpatia que dentes na boca se mostrou todo preocupado em explicar porque teria que abastecer durante a corrida, o porque de não dar carona a um pedinte (segundo ele, malandro “armador”) e achou graça quando contei do conto do João Melo, que falava sobre sua própria marginalização. Disse que ele era o próprio, que não tirava o palito da boca MESMO e parou de dirigir para fazer a “pose legal” dessa foto aqui. Dessa vez não posso reclamar por estar na rua, se toda vez que saísse de casa me deparasse com uma poesia ambulante, acho não voltaria mais.

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It is hard to move forward with an anchor in my feet.
They say “sail”… 
Well, i say “sink”.
Maybe I’ll try to swim
Find a new way to fool you – and mostly myself-
But we all know at this time
That my moves are rusty
And I probably gonna drown myself in a lot of froth.

Cravo e Caveira

15/10/2013

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Sua ausência pesa
Apresso-me no banho
Esqueço…
Não ha ninguém a esperar

O café é frio
O pão é um
A voz é minha
A dor também

Sua ausência enfraquece
Carrego seu peso em minhas pernas
Que um dia foram tuas
Hoje, cansadas, arrastam-me

Minha boca seca
Saliva à memória do teu beijo
E tuas mãos aquecem minhas costas fracas
Mas o calafrio permanece

Sua ausência assombra
Ocupo o lado direito da cama fria
Os travesseiros esperam alguém
Os engano
E aos sonhos viro-me na busca do teu corpo
Que um dia foi meu

James

Joseph is a happy little boy
He can’t go out because of his bones
“They are made of glass”, he likes to think
Actually they are weak, just that
But his mom invented a story with cool and dangerous glass bones
He liked his adventure

And Joseph was happy
With his beautiful toy collection, and there is no reason to go outside
Until a day, when the skinny little Joseph fell of the stairs
His bones were not dangerous, they were weak.
And he broke them all

So Joseph stays in a chair, a weird chair with wheels.
Now he can go outside, but not to play like the other kids,
He can only observe them from his chair
He can not move anymore, not even to play with his beautiful toys.

Ela

02/10/2013

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A pálpebra quente dela iluminava e fazia sombra nos meus lábios.
Eu beijava seus olhos negros, profundos.
Beijava olheiras de quem usa a cama para tudo, menos dormir.
Ela abaixa a cabeça, como quem pensa em algo pra dizer
Mas não diz.

Eu, areia, escorria em suas mãos
Mantinha-me seco, para fluir.
Ela me jogava sobre si
E Se jogava sobre mim.

Ela se faz mar.
Mergulho, afogo-me!
Mar escuro, revolto, profundeza de alma.
Sereias escutam conchas
Enquanto te procuro dentro de você.

(Só se mostra quando quer)

E se faz sol… me seca.
Aquece.
Levanta a cabeça e me beija os olhos de volta
Dessa vez diz:
“Amo você.”

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Vejo mais um amanhecer
Mas dessa vez o podre da alma se espalhou
O corpo adoeceu também.
Acho até que demorou!
Carma por tentar decidir a hora das idas?
Eu diria que sim, o universo é vingativo
Esperava o melhor momento – pra ele, evidente.
Quando a vontade de ficar me alcançasse, ele agiria.
E agiu!
Fraco. Minguada vingança.
Mas há quem diga que é só um ensaio…
Aparentemente não decidimos nada
esperamos nosso acidente acontecer.